Nagib, da Manara: "precisamos estar prontos para a retomada"

A Construtora Manara está pronta para a retomada da economia. No entanto, além das vendas, o empresário e engenheiro Nagib Elias Jabbour avalia que o país precisa ampliar a segurança jurídica e rever a carga tributária do setor produtivo.

Em entrevista ao site do Sincaf, Nagib contou como a empresa passou pela crise dos últimos anos.

A empresa aposta na qualidade e no carinho com que os projetos são desenvolvidos, como o edifício Inspirare, que receberá novos recursos. Porém, diz ele, fé e família também são importantes.

Leia a entrevista.

O início

A Manara começou como construtora, e hoje também atua como incorporadora. Minha esposa, Anna Lúcia Jabbour, é sócia, e em breve minha filha, que está estudando Engenharia, deverá vir para a empresa.

Também temos diretores contratados, seguindo a ideia de profissionalização. Pensamos na criação de um conselho, porém na crise tive que tomar as rédeas dos negócios pessoalmente.

Família

Ter esposa e filhos orbitando ao lado é muito importante para o empresário. A família nos ajuda, nessa trajetória difícil que é ser empresário no Brasil.

As origens na construção

Meu avô paterno, Nagib, era construtor; ele levou energia para pontos distantes do Líbano. Já meu pai era comerciante na Rua 25 de Março, em São Paulo. Os dois eram libaneses de nascimento.

Em 1968, meu pai voltou para o Líbano, e lá estudei numa escola francesa. Ao retornar, mesmo sendo brasileiro, eu não falava português direito, mas passei na Unesp e na Unicamp em Engenharia. O nível da educação lá fora é muito alto, e o Brasil ainda está defasado nessa área.

Se por um lado tinha notas baixas em português, os conhecimentos em outras áreas permitiram uma classificação perto de 300 entre 8 mil vestibulandos.

Cursei Engenharia Civil na Unicamp, no campus de Limeira. Com o diploma, trabalhei como engenheiro de empresas cerca de 12 anos.

As primeiras obras da Manara

Éramos três sócios, todos engenheiros, em 2001. Depois adquiri a totalidade da empresa.

Começamos fazendo obras industriais. As instalações elétrica e hidráulica do Sempre Vale, na loja Prada, foram nossa primeira obra. Fizemos prédios para Habib’s, as concessionárias Peugeot e Citroen, Unicamp, CP Kelco, Citros Dohler e Medical. Ainda atuamos na Bahia, Minas Gerais e Goiás.

Hoje temos dois braços, o IND (redutivo de “indústria”) e INC (“incorporação”).  As obras da INC sempre são feitas pela IND. Antes da crise, a IND chegou a fazer obras somente para a incorporadora. Foi o momento mais feliz que vivemos, até 2014.

Crise e perspectiva

De 2015 a 2017 foi ruim. Esse ano, a Copa e as eleições seguraram o mercado.

Para 2019, a expectativa é positiva; porém, por enquanto, é expectativa. Ocorrendo algo parecido com a greve dos caminhoneiros, tudo pode mudar. 

Nagib, junto da maquete do "Inspirare": fé e família ajudaram nas horas difíceis
Foto: Divulgação

Lições da Crise

Trabalhar é uma filosofia de vida. Não entendo como algo que vai trazer lucro para comprar um apartamento na praia, um belo carro. Isso é consequência.

Mas não consigo desassociar a matéria da espiritualidade. Uma das quatro pós-graduações que eu fiz foi em Teologia.

Para combater qualquer situação crítica, primeiramente precisamos entrar em nós mesmos buscando algo que chamamos de “fé”. Depois é você acreditar.  A parte mais técnica numa crise envolve avaliar custos, enxergar oportunidades, desenvolver algo diferente, até voltar ao equilíbrio.

Confesso que nessa crise vivemos momentos de desespero. Dela saímos, mas nós não enriquecemos; muito pelo contrário, estamos vivos, porém com a água bem abaixo do pescoço.

A lição é: tenha fé.

O risco Brasil

O empresário brasileiro se adapta, tem isso de bom. Mas, durante as crises, ele se pergunta: “onde vou parar?”.

Junto com a crise, vieram ações trabalhistas, algumas justas, porque o sub-empreiteiro recebeu de mim, quebrou e não pagou ninguém; eu tive que assumir.

Mas outras foram injustas. Em muitos casos dá-se a impressão que nem sequer é lido o teor da ação.

Você olha aquela decisão e diz: “não é possível, o mundo vai acabar”. Pensava: “estou numa situação crítica, temos que pagar salários e agora vem a ação. Eu pago uma decisão arbitrada pela Justiça ou pago os salários dos meus funcionários?”

Precisamos dividir isso com todos, até com as pessoas que julgam, para que possamos avaliar melhor as decisões. Precisamos ter segurança jurídica.

O Brasil também tem uma alta carga tributária, que precisa ser revista.

A indústria da construção

Já tive mil funcionários diretos, e outros 4 mil indiretos. Eram 5 mil famílias. Hoje estamos com 400 diretos, e trabalhamos com 20% de nossa capacidade.

Espero que o país, com o novo governo, nos permita evoluir economicamente e em nível de pessoas, sem problemas que vemos diariamente no meio político.

O mercado precisa reagir.

Espero que a Manara consiga evoluir no produto que ela fabrica. Tivemos uma evolução muito grande, iniciada em 2010. Nosso produto tem controle de qualidade, mas também tem carinho. Em Rio Claro, entregamos três torres de alto padrão, e um dos clientes nos disse: “senti muito carinho”. Em Tatuí, outro cliente disse a mesma palavra: carinho.

Hoje estamos com estrutura mínima para retomada do mercado. Conseguimos manter as pessoas em postos-chaves. Estamos prontos para evoluir de novo.

 


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