Antônio Custódio, um dos pioneiros das construtoras em Limeira

Presidente do SINCAF, Mário Sérgio Lala, e o engenheiro Antônio Custódio
Foto: Divulgação

Na década de 1950, o estado de São Paulo tinha somente duas faculdades destinadas a formar engenheiros: Politécnica e Mackenzie.

No grupo de formandos de 1955, no Mackenzie, estava o limeirense Antônio Custódio de Oliveira Neto. Pioneirismo e empreendedorismo são termos que cabem no currículo desse profissional, hoje com 88 anos de idade e quase 62 de profissão.

Além da formação bastante rara na época, fundou uma das primeiras construtoras de Limeira, a Oliveira Neto. O desafio era a construção de obras de porte, como indústrias e edifícios, estes com vários andares. O engenheiro ainda conheceu o ônus e o bônus de ser empresário no Brasil.

Ao lado do presidente do SINCAF, Mário Sérgio Lala, que atuou na empresa, Custódio contou passagens dos anos iniciais, o mundo dos negócios e até mesmo os desafios para realizar os trabalhos – como a inflação galopante do país e a necessidade de viagens até São Paulo para comprar material de acabamento, naquela época.

Também aborda a importância de entidades como o SINCAF. Confira.

Uma época de poucos engenheiros

Na década de l960, os engenheiros que atuavam na construção civil em Limeira eram  Paulo Buzolin, com escritório em São Paulo, Paulo D’Andrea e eu.

A difícil formação

Éramos seis irmãos, e meu pai sempre nos incentivou a estudar. Ele trabalhou como contador na Máquinas São Paulo. Minha mãe era professora no Grupo Coronel Flamínio. Na época Limeira não tinha o Científico (equivalente ao ensino médio). Primeiro fui cursar o Científico no Atheneu Paulista, em Campinas. Viajava de trem todo dia, tinha que estudar bastante porque o vestibular era muito difícil. Em 1950, fui para São Paulo fazer Engenharia Civil. Aí tinha que pagar os estudos, precisava trabalhar. O primeiro emprego foi na Federação Paulista de Natação. Depois entrei no Departamento de Urbanismo da Prefeitura de São Paulo, com o cargo de fazer pesquisas e em l955, com minha formatura, passei ao cargo de engenheiro, trabalhando até 1959, quando me desliguei da Prefeitura, vindo trabalhar em Limeira.

Os obstáculos no início da empresa

A Oliveira Neto tinha como prioridade obras industriais, era nosso forte. No inicio de 1970 construímos as instalações da  indústria Fumagalli, na saída da via Anhanguera. Também trabalhamos muito com usinas de açúcar e álcool. A mão de obra era boa, fornecida pelo Arlindo Chanquetti. Na parte de projetos de arquitetura, hidráulica, elétrica e estrutural, eu trabalhava com uma equipe muito boa de São Paulo, meus amigos.

Os edifícios em Limeira

Limeira tinha somente um prédio alto, o São Jorge, construído pelo Paulo Buzolin, localizado na esquina da rua Dr. Trajano com a Tiradentes. Na década de 1960, a Oliveira Neto construiu o prédio de 4 pavimentos, onde hoje está localizada a Magazine Luiza. Logo depois, por experiência, fomos convidados pelo incorporador Egistinho Ragazzo a construir o segundo prédio de 15 andares em Limeira  o Tatuiby, localizado ao lado da Gruta. Na mesma época foi construído  o prédio Guidotti, também de 15 andares,  por uma construtora de Sáo Paulo, cuja mão de obra foi fornecida pelo Arlindo Chanquetti, de Limeira.

Viajando para buscar materiais

No início, eram tempos difíceis. Toda semana íamos para São Paulo comprar material de acabamento. Limeira só tinha material bruto. Durante a construção do Edifício Fumagalli, não havia usina de concreto em Limeira, o prédio todo foi feito com concreto em betoneira. Só usamos o concreto usinado nos tubulões  das fundações, vindo de Piracicaba. Hoje a coisa mudou, mas estamos falando de um tempo, só por curiosidade, em que uma ligação telefônica para São Paulo, às vezes, chegava a demorar mais de um dia.

Economia atribulada

Hoje a inflação está controlada, mas, na década de 1980, mensalmente você precisava negociar com o comprador do apartamento, a preço de custo, porque a inflação chegava a 50%. Na época em que o Delfim Netto foi ministro da Fazenda ele conseguiu controlar a inflação em 3% ao mês e aí tínhamos mais segurança nas empreitadas de obras.

Mário Sérgio Lala observa – “Lembro da inflação no tempo do Collor. Chegou a 75% num mês. Você tinha que negociar com o condômino. Era reunião todo mês, havia muita discussão”.

A evolução dos materiais

De 1980 para cá é que houve uma evolução. O pré-moldado mudou o sistema. O arcabouço era pré-moldado, e o pedreiro vinha para fazer o acabamento. Os equipamentos também ficaram melhores. Antes a gente usava elevador de obra para fazer os edifícios. A Oliveira Neto ganhou a concorrência para fazer a Estação Rodoviária, aquele prédio onde funciona até hoje. Peia primeira vez, usamos grua numa obra, montada em trilhos, no sentido longitudinal, para atender toda a obra, que tinha o formato retangular. Aquele lugar parecia um pântano, a gente não conseguia bater estaca porque havia também muitos blocos de concreto das velhas fundações da antiga fábrica da Prada.

Assemco e SINCAF

No começo da década de 1990, Limeira vivia um boom de edifícios. Reunimos o pessoal das construtoras para poder falar sobre mercado, mão-de-obra. Aí surgiu a Associação das Empresas de Construção, a Assemco, que depois se tornou o SINCAF.

Mário Sérgio Lala – “Sr. Antônio também foi um dos fundadores da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Limeira. É uma pessoa incrível. Aprendi a trabalhar com ele”.


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